Cavalhadas misturam religiosidade e cultura

A pequena cidade de Pirenópolis, em Goiás, recebe no início de junho as festas de comemoração das Cavalhadas, batalhas, que simulam a disputa entre cristãos e mouros pela península ibérica, hoje Portugal e Espanha, e encerram a Festa do Divino. É a celebração de Pentecostes, descida do Espírito Santo sobre os apóstolos, comemorada 50 dias depois do domingo de Páscoa. A celebração mistura elementos sagrados e símbolos pagãos, unem religiosidade, cultura e turismo.

Durante a cerimônia, um cortejo real pelas ruas de Pirenópolis segue até a matriz, repetindo a celebração nas cortes ibéricas. São dois meses de eventos, realizados na cidade e no campo, desde a quaresma. O conjunto de elementos religiosos e profanos da festa foi reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como Patrimônio Imaterial do Brasil.

A encenação termina com a conversão dos mulçumanos ao cristianismo. A comemoração foi introduzida no Brasil pelos colonizadores para facilitar a catequese dos índios, escravos e gentios. O registro mais antigo da representação medieval, em Goiás, foi em Luziânia, em 1751. As datas são móveis e variam de acordo com o calendário de eventos de cada destino. Geralmente as cavalhadas estão associadas a uma celebração religiosa. Em Corumbá de Goiás, as batalhas coincidem com a Semana da Pátria e a festa da padroeira Nossa Senhora da Penha, celebrada no dia 8 de setembro.

Circuito – Enquanto manifestação cultural e religiosa, as cavalhadas envolvem os goianos e projetam os 11 destinos que mantêm a tradição. Até setembro, o Circuito Cavalhadas de Goiás vai contar com encenações em Posse, Santa Cruz de Goiás, Jaraguá, Palmeiras de Goiás, Crixás, São Francisco de Goiás, Cedrolina, Hidrolina, Pilar de Goiás, além de Corumbá de Goiás e Pirenópolis. No coração do Brasil, o povo revive o teatro ambientado no século VIII, na região dos Pireneus, entre a Espanha e a França, simbolizando o combate entre o exército cristão de Carlos Magno e os muçulmanos do Marrocos e Mauritânia.

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